Mesmo sendo vítima, ainda hoje, de preconceito, a busca pela formação superior em moda tem aumentado. Todo ano surgem novas faculdades de moda pelos quatro cantos do país. A concorrência nos vestibulares só aumenta. Um fato, porém, chama a atenção: a esmagadora maioria dos estudantes que procura esse curso pretende trabalhar com criação e seguir a carreira de estilista.
Será o suposto glamour o que os atrai?

Analisando o histórico da profissão, é possível que sim. O inglês Charles Frederic Worth, nascido em 1825, mudou-se para Paris aos 21 anos e tornou-se possivelmente o primeiro estilista da história, dominando o cenário da moda por quase cem anos. Seu prestígio era tamanho que a revista Bazar divulgou, após sua morte, que nenhum outro nome contemporâneo era mais conhecido na França do que Worth.

Charles Worth e um modelo de sua criação (1860)
É fato que todo profissional deseja reconhecimento - na área da moda, não é diferente. No entanto, uma vez que, quando o assunto é moda, são principalmente os nomes dos estilistas os lembrados pela mídia, ocorre um ofuscamento em relação aos outros campos de atuação: as funções por trás dos desfiles são, assim, deixadas à margem da fama.

Designer de estampas
Apesar desse fato (ou exatamente por causa dele), nem todo estudante de moda deseja, de fato, ser estilista. Alexandre Herchcovitch, na 1ª edição do MAXIMODA, comentou que, ao se formar em Moda, “quarenta e cinco, das quarenta e cinco pessoas da turma, queriam ser estilistas”. Atualmente, no entanto, o designer acredita que “apenas quarenta, das quarenta e cinco pessoas que se formam em cada turma, ainda querem ser estilistas. Já é uma mudança!”. Essa tendência a seguir outras carreiras está crescendo: a cada dia, mais estudantes descobrem e se interessam pelas outras áreas ligadas à moda.

Ocupando lugar de destaque na produção têxtil mundial, o Brasil é um mercado em franca expansão. A demanda desse mercado em relação aos profissionais da área é grande, o que, além de aumentar as possibilidades de atuação, favorece os salários. Há, por exemplo, uma grande carência de modelistas, profissionais que modelam as roupas e dão vida às criações dos estilistas. Produtores de moda, encarregados de viabilizar os meios para que a roupa desperte o desejo de consumo, têm se destacado bastante e consultores de moda são muito requisitados. O trabalho dos vitrinistas começa, enfim, a ser valorizado. Existem, ainda, os jornalistas de moda, os fotógrafos de moda, os editores de moda e até os filósofos de moda.

Modelistas
Por mais que exista, de fato, o famoso glamour envolvido na profissão, foi-se o tempo em que ser estilista era sinônimo de poder trabalhar poucas horas por dia sendo arrogante, fazendo dois ou três rabiscos extraordinários e recebendo enorme prestígio (e salário).
Seja qual for a carreira que o estudante de moda decida seguir, uma coisa é preciso ter em mente: entre os croquis e as passarelas, existe muito mais trabalho do que supõe nossa vã filosofia.

Jornalistas de moda

Fotógrafo de moda
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Produtor de moda

Designer de calçados

Corsetier

Vitrinista
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Matéria: Gabriel Sanchez
Imagens: Reprodução