Nos próximos meses, o Brasil terá de importar 250 mil toneladas de algodão para cobrir a escassez de oferta do mercado interno nos próximos meses. Segundo Fernando Pimentel, diretor de ABIT (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção), é consenso entre produtores, exportadores e indústria que vai faltar algodão no País e que a solução é importar o produto para manter as atividades e viabilizar a produção.
O Brasil tem, atualmente, a quinta maior indústria têxtil e de confecção do mundo e emprega diretamente 1,7 milhão de profissionais e envolve indiretamente quase oito milhões de pessoas. Fernando Pimentel pondera que o País não pode correr o risco de perder competitividade e abrir mais espaço para importação de países asiáticos, que oferecem o produto a custo mais baixo.

As entidades agora pedem para adquirir 250 mil toneladas de algodão com redução ou isenção temporária da tarifa de importação entre outubro e maio (a decisão depende da Câmara de Comércio Exterior). E se a decisão for contrária ao pedido?
A indústria têxtil brasileira sofrerá possivelmente um forte baque. Afinal, vale lembrar que ela já é comprometida em parte diante da concorrência com produtos importados, sobretudo os chineses – e a razão disso, naturalmente, é nossa altíssima carga tributária. Sabia que o País figura entre os dez países com a maior do planeta?
E, para piorar, no segmento têxtil o valor da taxa é um dos mais altos: do campo até chegar à vitrine das lojas, uma peça de vestuário, no Brasil, tem nada menos que 40% de carga tributária embutida no preço final.

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Matéria: Gabriel Sanchez (via Diário do Nordeste)
Fotos: Reprodução