Idealizador da loja-ação Coletivo Acervo Aberto, o estilista Francisco Matias é hoje o responsável por uma das lojas mais influentes da moda cearense. Sem o Coletivo, a história de estilistas e marcas como Mar del Castro, Lindebergue Fernandes, Iury Costa, Cândida Lopes, dentre tantos outros, não seria a mesma. Completando três anos de existência e com um percurso de sucesso, apesar dos altos e baixos característicos da produção autoral, a loja Coletivo se muda mais uma vez, saindo da R. Maria Tomásia (na Aldeota) de volta ao Benfica, bairro que primeiro o acolheu em terras alencarinas.
A nossa editora de conteúdo Maarji Castilho teve uma conversa com o estilista, onde falaram sobre a mudança, o futuro da loja e o que vem por aí. Confira a entrevista:
PROFISSÃO MODA - Porque vocês vão sair da Maria Tomásia?
MATIAS - Foi uma questão de foco, de enxugar custos mesmo. Manter a loja, com fluxo ativo requer investimento alto a médio e longo prazo. E manter o fluxo de clientes na loja da Maria Tomásia era complicado. O novo público atraído pelo endereço na aldeota não suplantou o antigo público, bastante fiel, que frequentava as lojas da rua Padre Roma (endereço da 1ª loja, no Benfica) e da rua Francisca Holanda (2º endereço), por isso voltamos.
PROFISSÃO MODA - Você se arrepende de ter mudado a loja para a Maria Tomásia?
MATIAS - Não, não me arrependo, não. A nossa mudança para lá foi um processo natural. Acho apenas que poderíamos ter sido mais profissionais para estar lá. A moda autoral precisa cada vez mais desse fator para se manter.
PROFISSÃO MODA - Houve perda de identidade do Coletivo nessa mudança?
MATIAS - Um pouco sim, mas não em um sentido negativo, mas sim como um processo de adequação da marca. Ao longo dos anos, a identidade vai sendo moldada, vai se adequando a novas realidades. Foi o que fizemos e o que estamos fazendo.
PROFISSÃO MODA - Como você vê o futuro daquela que pretende/pretendia ser a Oscar Freire alencarina (rua Maria Tomásia)?
MATIAS - Vejo a Maria Tomásia como uma rua que perdeu uma chance de ser uma referência em moda autoral. Não pelo local em si, que é ótimo, mas pela falta de informação (tanto do público quanto dos que montam negócio lá) e de conhecimento técnico também. Por mais que seja tudo lindo, há um problema sério lá: a falta de fluxo. E isso é consequência da falta de um trabalho de marketing consistente. Sem fluxo, não dá pra sobreviver.
PROFISSÃO MODA - Como você vê o Coletivo hoje com relação ao Coletivo do começo, de três anos atrás?
MATIAS - Com muito mais pé no chão. De 2007 pra cá, nos tornamos uma referência em moda autoral no estado do Ceará, e a relação do publico local com esse tipo de moda mudou muito graças ao que fizemos. Acho que nesse período, desmitificamos aquela coisa de que roupa de estilista é cara. A nossa marca, a marca Coletivo, é muito forte. A gente está mais forte.
PROFISSÃO MODA - E o que vai mudar na volta para a rua Pe. Roma? Quais são as expectativas?
MATIAS - Estamos interessados em trazer critério agora para o Coletivo. É preciso que o criador-estilista demonstre, além do interesse, capacidade também de produzir peças. Não dá mais para ficarmos com a mesma peça de um estilista pendurada por meses no mostruário. Isso não existe mais. Dentre os nomes que permanecem, é claro, temos o Lili (Lindebergue Fernandes), a Cândida (Cândida Lopes), SG (Sérgio Gurgel) e Mar del Castro. As expectativas são as melhores. Muitas novidades virão. Montaremos no andar de cima da loja um pequeno café com wi-fi para quem quiser passar um tempo, teremos um sebo de livros, e a loja passa a funcionar também em horário alternativo ao comercial para quem trabalha ou estuda.
PROFISSÃO MODA - E para terminar, como é a relação entre você e os atuais e ex estilistas do Coletivo?
MATIAS - Em geral a relação é muito boa com todos, atuais e ex. Estilista tem sempre aquela coisa do "ego", e às vezes é complicado (risos). Mas isso é natural. A minha função é meio estranha também, porque quando isso tudo começou, antes de ser loja, o Coletivo era um ateliê. Mas gosto da idéia do "junto", um lugar de onde se pudesse "sair". Acho que o Coletivo faz isso, por isso abri esse espaço.
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Matéria: Maarji Castilho
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