Ontem comprei minha Vogue Brasil - a America e a Harper’s Bazaar US ainda não tinham chegado -, que estava satisfatoriamente grossa, e começei a folhear. Cada página uma surpresa. Inúmeras matérias e notícias (?) que eram do meu total desconhecimento começaram a me deixar confusa. Nos meses anteriores, a Vogue era só um meio de confirmação de coisas que via previamente na internet. Via, checava, dava uma lida e jogava a revista no arquivo, onde ficaria até precisar dela para alguma pesquisa.
Cheguei a óbvia conclusão de que se a Vogue está interessante, é porque há algo de errado comigo. Com tantos afazeres dinâmicos me falta tempo para a coisa mais primordial ever: a pesquisa. Boa, velha e libertadora pesquisa e nos faz saber hoje o que a massa vai usar amanhã. Tem coisa mais gostosa que isso? É como controlar a vida das pessoas de alguma forma. Ter tardes inteiras para olhar desfiles e, com o passar do tempo, encontrar nas ruas as referências iguaiszinhas do que foi visto nos slides do Style.com. Saudade de dissecar todas as notinhas do WWD, assim como ler calmamente e com zero de pressa a parte de moda do Times (se bem que o twitter do NY Times Style tem me ajudado bastante), os posts do Telegraph e os videos do Herald Tribune.
Esse é um dos momentos em que o dinamismo me é altamente prejudicial pois acabo não absorvendo nada. E informação mastigada não é informação, é bagaço! Fico louca sem uma base teórica para ocorridos como a crise econômica e seus efeitos trashionistas, o aumento do preço dos produtos de luxo (linkada com a alternativa anteiror), as mudanças no fast fashion ou a questão do masculino frágil (ainda estou tentando compreender essa, principalmente depois da campanha da Balenciaga). O ruim também é conviver com pessoas “normais” sem nenhum vício midiático, que não são tão bitoladas em obter informação a qualquer custo. Perto delas sempre vamos parecer os mais bem informados da galáxia, por mais que a última coisa que tenhamos visto seja uma modelo escorregando do salto no desfile da Prada.
Ainda não encontrei solução pois suponho que seja um problema pessoal, de gerenciamento de tempo. Mesmo que tempo seja uma questão de prioridade, não posso deixar de trabalhar para tirar o dia para adquirir cultura de moda, por mais que eu mexa diretamente com ela, a cultura de moda. Como já havia mencionado, há um negócio chamado dinamismo no meio. Tudo precisa ser pá-pum. E claro nem sempre dá pra saber de tudo, quanto mais saber de tudo com profundidade.
Aí eu pergunto: como vocês fazem para saber de tudo-agora-e-já e ainda executarem com perfeição as tarefas dos dia-a-dia?